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Crux
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Ebook582 pages6 hours

Crux

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About this ebook

Uma vítima, uma sobrevivente, uma assassina, uma guerreira e principalmente uma vingadora. Todas em uma, Macha Harding, a heroína ou a vilã? Em uma história permeada de tensão e vingança, Macha Harding apresenta a perfeita representação do que raiva é capaz de fazer, mesmo pequena e com uma beleza incomparável, Macha não é nenhuma flor que se cheire. Afinal, nos menores frascos estão os melhores perfumes, mas também os piores venenos. Em uma cidade onde os Anormais foram proibidos de usar seus poderes, Macha se destaca com suas habilidades ensinadas por seu pai, não se surpreenda com a potência da Incendiária. A busca por vingança é incessante.
LanguagePortuguês
Release dateAug 13, 2023
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    Crux - Becca Segatel

    Crux

    Constelação de mentiras

    Bec a Segatel

    Crux

    Uma constelação de mentiras

    1

    2

    Para todos os sobreviventes que estão em busca de esperança, e para os que já a encontraram.

    3

    4

    Capítulo 1

    Um grito ecoou pelo corredor, vindo da sala. Levantei num salto, abri a gaveta da cômoda ao lado da minha cama e peguei uma adaga. Caminhei em direção à sala, ainda sonolenta, mas pronta para me defender se houver necessidade.

    Tonn estava sentado no sofá de couro bege, atordoado, e quando me viu se levantou e fez sinal para que fizesse silêncio -

    depois desse grito do que adiantaria ficar quieta? - apontou para os fundos da casa.

    Fui na frente para onde Tonn apontou e ele veio em seguida.

    Segurei firme a adaga que peguei na gaveta e saímos pela porta dos fundos, o sol estava começando a surgir e o céu estava em tons de azul escuro e turquesa mais para leste.

    Olhei ao redor procurando o que quer que tenha assustado Tonn, mas não encontrei. Ao virar-me para Tonn e havia alguém segurando uma faca em sua garganta.

    Um homem encapuzado, dava apenas para enxergar sua boca e o nariz, o resto estava coberto pelas sombras.

    - Não tente atacar e ele terá sua garganta poupada - disse o homem encapuzado, pelo menos dez centímetros mais alto que Tonn, e ombros largos.

    - O que você quer? - perguntei com a voz baixa e firme, queimando-o com o olhar.

    - Quero saber por quê esse aqui - ele segurou mais forte os cabelos castanhos e curtos de Tonn entre os dedos - entrou na minha casa noite passada e deixou um bilhete preso à porta com uma faca, dizendo você é o próximo. - Tonn não é o tipo de agente que faria isso, esse homem deve estar se confundindo.

    6

    - Você o viu? Tem certeza absoluta de que esse garoto foi quem viu entrando na sua casa? - falei com indiferença, já ficando irritada.

    O homem não tem muita postura para terminar a ameaça que acabara de fazer.

    - Você. - falou com a voz mais grave, direcionada para Tonn - eu sou próximo em quê? Garoto. - desviou os olhos para a adaga no pescoço de Tonn.

    - Não sei, não entrei em sua casa e nem deixei o bilhete. -

    Tonn não estava com medo, apesar de que a cada não sua voz saía tremula.

    - Vai me dizer então como tirei uma foto de você entrando em minha casa, se não estava lá? - ele não mostrou foto alguma, suas mãos estavam ocupadas, mas vi uma ponta de papel em seu bolso, e havia um homem realmente parecido com Tonn na fotografia.

    - Este não é Tonn. - falei apontando para a foto em seu bolso - veja essa tatuagem em sua nuca. Tonn não a tem. Parece que pegou o cara errado. - fiquei em posição de luta com as pernas levemente dobradas, e agora com a adaga apontada para o homem.

    Ele soltou um grunhido, e arrumou a postura para demonstrar que também estava disposto a brigar, apesar de ja ter se tocado de errou.

    - Invadiu minha casa, interrompeu meu sono, e está ameaçando meu amigo - falei pausadamente o mais ameaçadora que podia soar - se quiser sair daqui vivo, sugiro que tire suas mãos dele neste instante. Ou não as terá mais. - quando parei de falar, ele analisou a nuca de Tonn e assentiu, - mesmo que não gostasse disso - se movendo lentamente para trás.

    Tonn não estava tão nervoso quanto qualquer pessoa normal estaria, afinal fomos treinamos muito bem para esse tipo de situação, e outras muito piores. Mas ainda é madrugada, não queremos brigar uma hora dessas.

    7

    - Não sei quem acha que amendronta fazendo essa pose de durona. - deu um sorriso de canto de boca, e sumiu diante de meus olhos.

    Tonn me encarou, para ter a certeza da minha resposta, depois arqueou uma sobrancelha, e fiz que sim com a cabeça.

    - Sim, era seu irmão na foto. - ele xingou o irmão mas eu o interrompi - o que significa que aquele homem já é considerado morto - coloquei a mão em seu ombro, direcionando-o para dentro de casa.

    Seja lá quem for esse homem, e o porquê de ter sido

    marcado por um agente do governo. Certamente não tem chance alguma. Muito menos com Yarin, o irmão mais velho de Tonn, ele é o agente mais habilidoso do governo por 3 anos seguidos.

    O homem do capuz era um manipulador das sombras, as pessoas daqui de Paskol chamam esse tipo de gente com poderes sobrenaturais de Anormais. Não tem como saber quando alguém é Anormal a não ser que exponha seus poderes. Há tantos poderes que não me lembro de todos, meu pai os ensinou para mim há um bom tempo, os meus preferidos eram o manipulador de mentes, ele pode entrar na mente das pessoas e implantar ou remover memórias. Lembro-me os videntes também, conheci um pessoalmente, mas não tive muito tempo de presenciar ele usando os poderes, eles veem o futuro, mas não de uma forma clara, precisam interpretar as visões. Há Anormais capazes de petrificar alguém e depois desfazer. Meu pai dizia que se ele pudesse escolher um dos poderes, gostaria o da Lentidão, para o tempo passar mais devagar ao seu redor. Tem muitos outros poderes mas não me preocupei em decorar todos, nunca achei que fosse ver um Anormal de novo, parece que eu deveria voltar a estudar sobre eles.

    Segui para o meu quarto, quem sabe ainda consigo cochilar por mais uma ou duas horas antes do treino começar.

    Tonn fez o mesmo no sofá da sala. Ele vem sempre dormir em 8

    casa, desde que éramos crianças, só para poder treinarmos juntos com meu pai.

    Meu pai também é agente do governo, e começou a me treinar antes mesmo de eu aprender a falar.

    Não consegui pregar os olhos por mais que meia hora. Já estava de pé me vestindo e me armando para começar o dia.

    Escutei meu pai entrando pela porta e colocando seu arsenal na mesa.

    - Noite agitada? - perguntei da sala, e fui ao encontro de um abraço.

    - Nem imagina! - suspirou ele, retribuindo o abraço.

    - Você também não - falei quase que rindo, apesar de não ter sido engraçado.

    Meu pai ficou tenso, e se soltou do abraço. Me encarando com uma expressão de dúvida.

    - Como assim? – indagou ele, erguendo sua sobrancelha falhada, resultado de uma missão há muito tempo.

    Suspirei, e lhe dei um sorriso como se dissesse não foi nada de mais.

    Virei meus olhos para a mesa - sabe que armas em cima da mesa são proibidas. - falei pra ele, que me retribuiu o sorriso e retirou suas armas da mesa.

    Tonn se aproximava de nós, e esperei que contasse tudo ao meu pai enquanto eu caminhava até os armários para pegar cereal.

    - Dion, que bom te ver! - falou para o meu pai, o abraçando.

    9

    - mas é claro, eu moro aqui! - meu pai respondeu, e deu dois tapinhas em Tonn, e os dois riram, não por muito tempo. - vai me contar o que aconteceu? - perguntou para Tonn.

    O sorriso se foi em dois segundos.

    Soltou um suspiro, os dois sentaram-se, e Tonn começou a contar.

    Meu pai e eu escutamos com a mesma expressão, indiferentes com relação ao acontecimento, afinal ele me treinou bem demais para nada poder me pegar de surpresa. Sabe que sei me proteger sozinha, Tonn também sabe, mas estava visivelmente mais nervoso do que eu, é compreensível, afinal a adaga estava na garganta dele, não na minha.

    Depois de Tonn terminar de contar toda a história, meu pai falou a mesma coisa que eu.

    - Se esse Anormal é procurado por Yarin, - soltou uma risada abafada- já está morto. - confirmei com a cabeça, e continuamos a comer.

    Treinamos por umas 2 horas, do lado de fora de casa, no mesmo lugar que o ocorrido de hoje mais cedo.

    Meu pai estava mostrando uma técnica nova para Tonn enquanto eu repetia a série de golpes no ar. Chutes, socos, esquivar de um golpe invisível, e tudo de novo.

    Yarin aparaceu, o ombro apoiado na porta, ficou nos observando por alguns segundos, até que interrompi minha série e virei para ele.

    - Já terminou a sua missão de ontem? - perguntei para ele, de queixo erguido e braços cruzados.

    10

    Ele estreitou as sobrancelhas e também cruzou os braços.

    Me encarou por um momento e abriu a boca para falar:

    - Sim, terminei. - sua voz parecia entediada, com a missão, mas curiosa devido à pergunta. - como sabe que estava em missão ontem? - ergueu uma sobrancelha.

    Andei alguns passos em sua direção, parando um metro dele.

    Ergui mais o queixo, não sou muito alta, ainda mais perto dele.

    - Bom, parece que o seu alvo não gostou do bilhete que deixou à porta dele. - ele ficou tenso e confuso, não entendeu ainda o que quis dizer. Dei de ombros e retornei a falar. - ele veio fazer uma visita breve ao seu irmão há apenas algumas horas atrás.

    - ele enrijeceu, desencostando da porta.

    - Ele é um tolo, por que viria aqui? - sua voz era grossa e rouca como sempre, não parecia mais apreensivo.

    - Aquele idiota achou que Tonn fosse você - falei virando a cabeça observando Tonn, que estava praticando com Dion. -

    pareceu que ele achou uma boa ideia invadir minha casa para colocar uma adaga na garganta do seu irmão. - voltei meu rosto para Yarin com uma expressão neutra.

    Ele se inclinou um pouco para frente e estalou a língua.

    - Um imbecil mesmo! Achou que ia conseguir matar meu irmão com a guarda-costas dele por perto? - soltou uma risada seguida por um suspiro, uma provocação bem estilo dele mesmo.

    Não me importo de qualquer forma.

    - Se a adaga estivesse no pescoço certo, nem teria me dado o trabalho de levantar da cama - repuxei o canto da boca e voltei a treinar.

    Senti aqueles belos olhos azuis Cianita - iguais aos de Tonn - me encarando pelo próximo minuto, e em seguida se retirou.

    Tonn já havia terminado o treino corpo a corpo, estava agora com a pistola em mãos. E como sempre, sua mira perfeita 11

    não decepciona, acertou o alvo que meu pai fez a uma distância de 15 metros, e outro de 30.

    Eu não sou nada mal em tiro ao alvo, porém Tonn me supera, é o melhor que já vi, quando se trata de mira. Mas não ganha de mim no combate corpo a corpo, nunca ganhou. Sou mais ágil que ele, mesmo ele tendo mais força, sem contar que sei muito mais golpes.

    Quando o treino acaba meu pai toma banho e descansa, já que seu turno é de noite, enquanto isso eu e Tonn nos enfrentamos sem armas, até cansarmos.

    - Acho que passamos do horário hoje - falei ofegante.

    Sentando na grama ao lado de Tonn.

    - Não reparei. Nem estou cansado ainda! - falou brincando, ainda mais ofegante que eu.

    - Sei! Vá pra casa tomar banho, está precisando! - falei, abanando o ar perto do nariz, para provocá-lo. Ele fez uma careta ficando de pé muito rápido, jogou a toalha encharcada de suor dele em cima de mim.

    Resmunguei atirando a toalha de volta, e o xingando.

    Ele estendeu a mão para me ajudar a levantar, eu a segurei e dei um puxão forte o suficiente para fazer ele cair. Me deu um tapinha no ombro, com uma careta. Parece que foi ontem que os dois melhores amigos, - irmãos de coração - sentaram nesse mesmo lugar e riram juntos de qualquer besteira.

    12

    Capítulo 2

    Acordei com os pássaros cantando em cima do telhado, queria pelo menos mais 5 minutos para dormir, mas tenho que trabalhar.

    Nunca sabemos o que nos espera quando se trata de trabalhar para o governo. Eu e Tonn entramos juntos, mas faz apenas 2 anos, as únicas missões que nos mandam é para apreender ladrões ou bêbados briguentos. É trabalho para crianças, quero mais emoção como as histórias que Yarin nos conta quando aparece aqui para observar o treinamento, sempre fica com missões que exigem estratégia, e são emocionantes, há partes de tirar o fôlego, essas histórias e as do meu pai, claro!

    Antes de ele ser promovido para guarda-costas pessoal do governador, um sujeito destituído de compaixão. Cresci ouvindo suas histórias, uma mais perigosa que a outra, nunca tive medo delas, Papai me ensinou isso, eu treino muito para chegar ao patamar dele.

    Ele já ganhou muitas medalhas honrosas, foi o melhor agente em todas as áreas imagináveis, ninguém era páreo pra ele, mas quando foi promovido, o cargo dele não permitiu mais que participasse desse tipo de competição.

    Então, vários outros agentes tiveram a oportunidade de ganhar medalhas também, respeitam Dion como se fosse um rei, nunca houve alguém com tantas medalhas acumudalas.

    Sinto muito orgulho dele por isso, quando eu começar a competir, quero ter tantas vitórias quanto ele. O governo só permite competidores com mais de 18 anos, essa vai ser a primeira vez que participarei. Não há muitas mulheres trabalhando para o governo como agentes, e nenhuma ganhou medalha alguma... até agora. Até Macha Harding.

    13

    Hoje começam as competições, mudarei essa história de uma vez por todas, não serei intimidada por nenhuma montanha de músculos.

    Se eu conseguir ao menos uma vitória, posso conseguir uma promoção ainda hoje, senão terei que esperar até as inscrições do concurso serem abertas. Mas não sou uma pessoa tão paciente para esperar mais um ano.

    Farei o que for necessário para conseguir, mesmo que deixe marcas permanentes em alguns marmanjos nas arenas.

    Estou pronta, vesti meu uniforme de couro marrom escuro, bem agarrado ao corpo, ressaltando os músculos da coxa de tanto treino. Prendi uma pochete de perna, e me armei com o máximo de armas que consegui, até mesmo no cabelo, - minhas mechas ruivas trançadas, meus olhos azul-esverdeados reluziam com os raios solares da manhã que entravam da janela do meu quarto -

    cada grampo pode ser mortal em minhas mãos.

    Meu próprio corpo é uma arma, eu me tornei uma, e vou ficar mais afiada a cada luta.

    Saí pela porta do meu quarto e meu pai estava parado de pé ao lado da cadeira da mesa, deu um sorriso torno, seus olhos castanho-claro me encanrando com felicidade, e me envolveu em seus braços.

    Sussurrou no meu ouvido:

    - Acabe com todos eles! - soltando devagar o abraço falou com um tom orgulhoso - treinei você muito melhor do que fui treinado, e aqueles agentes não tem noção do seu potencial...

    Ainda. - ele deu uma pausa e segurando meus ombros, me direcionou para a saída. - Mostre a eles como se faz - apertou meus ombros um pouco mais forte e os soltou.

    Segui meu caminho para a Mansão Havilah, que fica à beira-mar.

    A luz do sol que bate na água, reflete ondas nas paredes brancas e lisas da Mansão, a porta deve ter no mínimo 10 metros de altura, não gosto de exageros, mas a Mansão é magnífica.

    14

    Passei pelos dois agentes altos e robustos parados na porta, havia muitas pessoas no salão, todos vestindo seus uniformes, alguns mais apertados que outros, devido ao banquete de iniciação que tivemos ontem.

    Avistei Tonn encostado em uma das colunas do lado direito do salão, estava limpando suas unhas com uma adaga de ferro, nada educado, uma coisa típica que ele gosta de fazer para chamar atenção. Passou o olhar por todo o salão, até que encontrou o meu. Se desencostou da coluna e abriu um largo sorriso, fez um sinal com a mão me chamando para ir até ele, e eu fui. Ou diria que tentei.

    O salão estava muito lotado, esbarrei em pelo menos cinco pessoas até chegar ao meio, indo em direção à Tonn trombei com uma mulher de cabelos longos e pretos que brilhavam com as luzes, se desculpou. Tonn veio em minha direção.

    Me cumprimentou com um soco no braço e perguntou:

    - Não consegue andar entre as pessoas sem trombar nelas?

    - deu um sorriso malvado, e retribui com outro soco em sua costela. Se contorceu por um segundo, mas se endireitou bem rápido e agarrou meu braço, me puxando para onde quer que ele esteja me levando.

    - Você conhece aquela garota que acabou de esbarrar em mim? - perguntei olhando para a lateral de seu rosto, e ele parou em frente a garota a qual me referi.

    - Oi. Sou Hel! Acho que não nos apresentamos devidamente. - estendeu a mão para me cumprimentar, e a apertei.

    A voz da garota era melódica, embora não tenha uma voz aguda ou fina, condiz muito com sua aparência. Não aparentava ter mais de 20 anos.

    - Macha Harding, muito prazer! - ela olhava fixamente para o meu rosto, e comecei a achar que tivesse alguma coisa errada, olhei para Tonn, para ver se fazia o mesmo, mas estava apenas observando Hel.

    15

    - Hel trabalha com as missões do lado norte. Mas quer uma promoção para ir em missões mais emocionantes, como nós. -

    falou Tonn, parecendo animado.

    Talvez outra garota para competir possa ver divertido, vamos ver quem consegue mais vitórias hoje.

    - Boa sorte na competição hoje, Hel. É legal saber que não serei a única mulher a ter que ensinar como se faz para esses homens. - abri um sorriso sincero para ela, e direcionei o olhar para Tonn, que fez uma careta para mim.

    - Claro! É sempre um prazer! - falou Hel dando uma piscadela para mim.

    Fiquei imaginando qual seria o ponto forte da garota.

    As espadas, a mira, a luta corpo à corpo, ou talvez a prova de estratégia? Bom, seja qual for já irei descobrir.

    O Governador apareceu em cima das escadas, fez sinal para que o salão fizesse silêncio e começou o mesmo discurso dos anos anteriores.

    - Caros companheiros de Paskol. Hoje é o dia mais esperado do ano. Terão a chance de mostrar suas habilidades e serem vitoriosos, nas cinco categorias da competição. São elas: A luta Laminada, - luta entre dois oponentes, usando as armas que escolheram - tiro ao alvo, - são 5 alvos posicionados de diferentes formas, podem estar parados, em movimento, ou no meio de vários outros alvos que não podem ser acertados, cada um é mais difícil que o anterior. Todos os competidores usam a mesma pistola. - a prova de resistência, - acontece em um circuito com cordas, muros, água e vários obstáculos, e o objetivo é levar uma pessoa nas costas até a linha de chegada. - corrida, - correr três quilômetros até a linha de chegada. - e por fim, a luta corpo a corpo sem armas.

    Espero ver o desempenho de cada um de vocês hoje, lembrando que para cada categoria há um vencedor, pode haver cinco vencedores hoje, como pode haver somente um.

    16

    Boa sorte à todos, e que o melhor vença! - quando terminou seu discurso, o salão ecoou urros de todos os agentes. E

    todos nos direcionamos para a primeira arena.

    O primeiro desafio - a luta Laminada - começou, a arena comporta 10 duplas ao mesmo tempo, é em céu aberto e tem uma arquibancada enorme para que todos possam assistir o choque das espadas.

    Tonn conseguiu estar entre as 10 primeiras duplas, e já estava posicionado na frente de seu oponente, com espada na mão, olhou de relance para mim e falou algo como veja e aprenda, mostrei a língua para ele, e se virou para frente novamente.

    Ao meu lado, Hel tomou o assento vazio, e encarou os participantes na arena.

    Voltou seu rosto fino e pálido para mim e comentou:

    - Tonn ganha desse magrelo em menos de 10 segundos. -

    me cutucou com o cotovelo, e sorriu.

    Seus olhos conhaque brilharam entretidos com as espadas dançando na arena.

    Os meus seguiram os movimentos de Tonn, ágeis como sempre, seu adversário estava com ódio no olhar, o que me preocupou por um segundo, mas me adverti, lembrei de quem era Tonn, e não precisava dessa preocupação. Por outro lado, não conseguia, o adversário poderia ter uma carta na manga para usar a qualquer momento.

    - Os 10 segundos já se passaram - falei baixo, pra mim mesma, mas para Hel ouvir também.

    - Ele consegue, o adversário dele está muito nervoso, vai acabar deixando uma brecha para...- interrompeu sua fala, e 17

    apontou para Tonn, que não desgrudei os olhos nem por um segundo. - não falei? - ela sorriu e cruzou os braços vitoriosa, como se ela mesma tivesse ganhado a luta. Tinha razão, o homem magrelo agora havia perdido para Tonn, deixou sua nuca desprotegida e deu as costas pra Tonn, foi o suficiente para o acertar com o punho da espada e desmaia-lo.

    Tonn ergueu os braços em comemoração, depois piscou pra mim e li seus lábios que diziam aprendeu?

    Torci por ele mas logo senti calafrios, mesmo com o tempo abafado esta manhã. Eu era a próxima, junto com as outras nove duplas.

    Encarei meu adversário, tinha ombros largos e era moreno, bem mais alto que eu, o que no meu ponto de vista é uma vantagem, eu sou muito mais ágil que ele, e ele é maior o que torna o alvo mais fácil.

    Olhei para Tonn que agora assitia da arquibancada junto com Hel, e falei para ele observe, e ele lançou um olhar desafiador. Me concentrei em meu adversário, estudei sua posição inicial, e já percebi que era canhoto, ele escolheu espadas gêmeas, e entregou qual tinha mais domínio na posição, seu braço esquerdo estava segurando a espada em posição de ataque, enquanto a direita, de defesa.

    Arquitetei meus movimentos em menos de 3 segundos, se não o desse tempo de pensar em atacar, já seria uma luta ganha.

    Ele também estava visivelmente me estudando, mas não acho que saiba que meu pai me treinou para não transparecer minhas estratégias. Ele estreitou as sobrancelhas, e ouvimos o sinal para começar a luta.

    Meu primeiro passo foi para a direita dele, me aproximei e me esquivei rápido que nem um rato, não teve muito tempo para usar a espada de defesa, porque eu já havia tirado de sua mão com um simples toque no ponto certo no antebraço para que soltasse a espada. Dei mais um passo à frente esperando o ataque, que veio, e me defendi com uma espada enquanto a outra desarmava a única restante.

    18

    Ele se abaixou rapidamente para pegar a espada do chão, pisei em cima dela o impedindo de pegar e apontei a espada para sua cabeça.

    Ganhei a luta com louvor, e imitei o que Tonn havia feito, aprendeu?

    Falei para ele, e olhei para Hel ao seu lado que estava com um sorriso no rosto, depois de ter aberto a boca em surpresa pela minha vitória de 12 segundos, tempo recorde.

    Subi as escadas para me juntar à eles na arquibancada.

    Sentei-me ao lado de Tonn e trombei meu ombro no dele de propósito.

    - Podia ter sido melhor! - ele falou para mim, com um sorriso malicioso.

    - Você podia ter sido pior! - retribuindo o sorriso. - sinto muito por ter demorado o dobro do tempo que levei, aquele magrelo parecia realmente muito difícil de derrotar. - ri como provocação e ele me beliscou no braço. Retribui com um tapa na orelha. Igual duas crianças.

    Vinte minutos depois chegou a vez de Hel, eu e Tonn estavamos curiosos para saber quão habilidosa é a garota.

    Pra sua sorte não teve um adversário tão grande quanto o meu, é esguio igual ao de Tonn.

    Gosto de zoá-lo mas sei do seu potencial, é melhor que a maioria dos soldados aqui. As provocações são nossa melhor demonstração de carinho.

    O sinal para o início da luta começou, Hel não parecia nada nervosa, suas espadas se chocaram com as do adversário, ela fez mais força que ele e acabou empurrando-o para trás, ganhando um ou dois segundos de vantagem. Antes que ele levantasse as espadas para atacar, Hel atacou com um combo de golpes, cada um fez o homem recuar mais um passo, até que ela bateu com a espada da direita para a esquerda nas dele, insinuando que fosse para aquela direção, mas ela o surpreendeu quando girou rapidamente para o outro lado, em uma fração de segundos estava com a espada em seu pescoço.

    19

    Hel se juntou a nós na arquibancada, com alegria e orgulho no rosto, até fui educada e dei à ela os parabéns.

    - Sabem, vai chegar uma hora nessa competição que infelizmente perderão para mim - disse ela com a intenção de nos fazer rir.

    Orgulhoso do jeito que Tonn é, obviamente retrucou a provocação.

    - Gostaria de ver você tentar! - falou rápido, e logo começamos a rir juntos.

    Nós três lutamos mais 7 vezes até que sobrassem apenas mais 5 participantes, nós e mais dois agentes super musculosos, tinham orgulho estampado do rosto, assim como Tonn e Hel, aprendi que não é bom cantar vitória antes da hora, isso te deixa mais convencido, e esquece que ainda não acabou. Por isso na próxima luta, do Tonn contra o homem musculoso que tinha uma cicatriz no queixo, o lembrei de algumas coisas que meu pai sempre dizia para nós, e ele ouviu meus conselhos mesmo que achasse que não precisava deles.

    Ganhou do homem, 4 segundos mais rápido do que sua luta anterior.

    Hel lutou com o outro homem, e por muito pouco conseguiu ganhar dele, ele era mais habilidoso que o da cicatriz, mas não o suficiente para derrotar Hel. O que me impressionou, a habilidade que a garota tem insinua que teve um bom mestre, talvez eu a pergunte quem é mais tarde.

    As próximas lutas foram entre nós três, assisti lutas da Hel o suficiente para entender seu raciocínio, ela provavelmente fez o 20

    mesmo comigo e com Tonn, será uma luta boa, mas me garanto com Tonn, pois o conheço desde sempre, e ele nunca me vence, já Hel, tenho que me manter o mais focada possível.

    Tonn já sabia que não me venceria, então lutamos como costumamos fazer nos treinos.

    Quando minha vez de lutar com Hel chegou, o barulho vindo da arquibancada era muito alto, nunca viram duas mulheres ganhando de tantos homens nessa competição, muito menos as duas se enfrentando na final, ela pensou o mesmo que eu, ao invés de nos vermos como adversárias naquele momento, emanavamos orgulho por termos chegado ali. Sorri para ela, e ela para mim. Ao sinal, nossas espadas se tornaram apenas vultos brilhantes, se movendo tão rápido quanto a luz, uma hora eu tinha vantagem, outra hora ela tinha. Foi minha luta mais demorada de hoje.

    Mas não me surpreendi quando ela desviou o olhar para meus pés, e com seu pé direito se preparou para dar uma rasteira, sabendo disso, esperei que encostasse no meu tornozelo e tirei rapidamente, o levei para a lateral externa do pé que ainda estava no meio do movimento, e bati com força, contratacando seu golpe, ela caiu de lado no chão e cruzei minhas espadas perto do pescoço dela, para impedir que se levante, ela aceitou a derrota. Estendi a mão pra levanta-la, e quase tivemos vontade de nos abraçar, mas mantemos a postura e seguimos para nossos lugares no pódio.

    Todos foram à loucura, duas mulheres ocupavam o primeiro e segundo lugar do pódio.

    Alguns nem sabiam como reagir, estavam tão surpresos que só ficaram em silêncio, outros se impressionaram e até ficaram felizes por isso ter acontecido.

    A entrega das medalhas só acontece no final dos 5

    desafios, vamos para o pódio apenas pela imagem.

    Mesmo com todos olhando para mim, Hel e Tonn, procurei meu pai em meio a todos, sei que ele não pode participar, mas não seria proibido de assistir.

    Durante o intervalo do primeiro e do segundo desafios, 21

    estávamos eu, Tonn e Hel conversando e fazendo movimentos no ar, iguais aos das nossas lutas, explicando o que passava em nossa cabeça durante elas, às vezes alguns agentes davam-nos os parabéns, alguns apenas acenavam, mas alguém tocou meu ombro, me virei para encarar meu pai que estava com o sorriso mais largo que eu já vi em muitos, muitos anos.

    Ele estava orgulhoso de mim, e disse baixo em meus ouvidos:

    - Sua mãe estaria tão orgulhosa quanto eu! - antes que meus olhos marejassem, fechei-os e respondi no mesmo tom.

    - Ela está. Lá de cima! Obrigada por vir. Não sabe como me deixou feliz. - o apertei bem forte nos ombros, não nos abraçamos em público, e não há muitas pessoas que saibam que somos pai e filha.

    Gostamos de deixar como está.

    Ele piscou e se virou para trás, para sair do salão antes que o próximo desafio comece.

    Ele protege o governador pessoalmente, esses pequenos minutos podem fazer diferença caso alguém tenha intenção de atacar. Eu compreendo, e o observo caminhar sem olhar para trás.

    O próximo desafio é em cinco minutos, queria achar Yarin para me gabar um pouco.

    Ele tem mais habilidade utilizando o próprio corpo, mas isso não o torna menos habilidoso com lâminas, apenas poupa sua energia para o show como ele chama.

    O encontrei conversando com mais dois homens perto da porta. Fui em direção à ele como uma cobra preparada para dar o bote.

    - E então, gostou do show? - perguntei à ele, igual sempre faz quando ganha algum desafio.

    - Na verdade acho que dormi por alguns minutos durante suas lutas. - lançou um sorriso malicioso e não satisfeita retruquei.

    - Vamos ver como se sai na luta corpo a corpo, agora que tem uma adversária à altura. - os outros homens gostaram de assistir essa troca de palavras entre nós, e Yarin gostava de 22

    provocar então não ficou quieto.

    - E onde ela está? Não consigo encontrar. - falou com a mão acima dos olhos, procurando pelo salão.

    Revirei os olhos, e só consegui pensar em falar:

    - Talvez se parasse de ser tão arrogante, eu o deixe achar que está ganhando por dois segundos, mas vai acabar tão rápido quanto pode piscar.

    - Que o melhor vença! - falou as últimas palavras do discurso do governador, mas não para minha surpresa continuou.

    - ou seja, eu.

    - Às vezes esqueço que você tem 22 anos, parece que uma criança mora nesse corpo. - o sinal para o segundo desafio tocou assim que terminei de falar. Só nos desafiamos silenciosamente, e caminhamos de volta para a arena.

    Agora é tiro ao alvo, ninguém é melhor que Tonn nessa modalidade, vai ficar em primeiro, estou torcendo por ele. Só espero também conseguir o pódio novamente, quero bater todos os recordes! Paskol não está preparada, não para Macha Harding!

    23

    Capítulo 3

    Todos os primeiros 10 atiradores se posicionam lada a lado com distanciamento de uns 3 metros entre cada um.

    Eu e Hel estamos na primeira leva de participantes, enquanto nos alinhamos, Tonn assiste da arquibancada.

    Por mais quente que esteja hoje, bate uma leve brisa com cheiro de maresia, que faz minha trança balançar.

    Os atiradores estão prontos, esperamos a contagem

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