Revista Natureza

DOSSIÊ DEFINITIVO DO GRAMADO

A imagem de um campo coberto por grama verde parece relaxar até a mais insensível das criaturas. Tanto que, para alguns, a simples cobertura de toda a terra exposta por alguma espécie compacta de gramínea é mais do que suficiente, ao ponto de eles abrirem mão de um paisagismo mais elaborado. De onde vem esta paixão humana pelos gramados?

Os gramados são uma parte importante do mundo. Pelo menos 40% das terras emersas deste planeta já foram, originalmente, cobertas por um tapete natural de gramíneas, tanto em campos naturais quanto em savanas. Isto inclui boa parte do continente africano, terra natal da espécie humana. Dentre todos os primatas — grupo fortemente ligado às árvores —, os seres humanos estão entre as poucas espécies com amplas adaptações para viver sobre este tapete de ervas, então, não se sinta culpado por gostar tanto de um gramado, isso provavelmente está gravado no seu DNA. Enquanto os hominídeos evoluíam para tornar-se humanos, estes ambientes foram sua área de caça, de coleta de alimentos vegetais e até sua cama.

É claro que não demorou para que os primeiros humanos começassem a adaptar este ambiente tão peculiar ao seu gosto, mas não foi da noite para o dia que a rústica cobertura de gramíneas espontâneas se transformou em uma impecável camada verde luxuriante. A criação de gramados “perfeitos” é uma aquisição recente na história dos jardins: enquanto várias técnicas horticulturais mais complexas foram dominadas há alguns milênios, o estabelecimento profissional de gramados não tem muito mais que dois séculos.

Desde que se cercaram de animais de criação como vacas e ovelhas, que se unem em rebanhos e alimentam-se essencialmente de gramíneas, as pessoas passaram a aproveitar todas as áreas abertas ao redor como pasto, e isso deixou a cobertura de gramíneas em uma altura bem reduzida. À medida que as plantas retomavam o crescimento, os rebanhos voltavam àquele local, e a repetição do pastoreio ia compactando o crescimento delas. É por isso que ambientes rurais normalmente possuem um relvado baixo e compacto de gramíneas naturais há milênios.

Nas áreas urbanas, porém, a situação era diferente. Nas antigas cidades, todo espaço ao redor das casas possuía algum tipo de pavimentação, para evitar a formação de lama. Quando existia terra, muitas vezes a grama não conseguia se estabelecer, já que a densidade das construções atrapalhava bastante a entrada de luz. E mesmo que houvesse luz suficiente, as vacas e ovelhas, funcionárias involuntárias do serviço de paisagismo, eram sempre

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